A primeira depilação

A primeira depilação a gente nunca esquece! Eu nunca esqueço, minha mãe nunca esquece, o salão não esquece. Chego a sentir vergonha da vergonha que passei.

Sempre quis, nos pensamentos (e só nos pensamentos) fazer depilação. Desde a quarta série, sonhava com as minhas pernas lisinhas, aveludadas. Lembro-me bem o quanto invejava as mulheres dos comerciais de televisão. As pernas, além de depiladas, recebiam aquele toque extra de glamour: creme bronzeador, photoshop, ou sei lá o quê. 

Vá por mim: depilação não é todo esse glamour!
Vá por mim: depilação não é todo esse glamour!

Em mim, vontade não faltava, mas faltavam duas coisas essenciais: perder a vergonha e criar coragem! O fato é que eu morria de vergonha de pedir à minha mãe para me levar a um salão e fazer a maldita depilação! Era um forma de admitir que eu estava crescendo e, diferentemente da maioria das meninas, eu não queria crescer. Morria de medo de deixar de ser a “bonequinha” da família. Além da vergonha, eu precisava criar coragem, afinal depilação sempre foi um assunto um tanto polêmico.

Recordo-me das experiências não tão agradáveis das mulheres da minha família e da emoção das minhas vitoriosas amigas, que, apesar do medo e da pouca idade, arriscaram-se nesse mundo de dor, sofrimento e, às vezes (quase sempre), gritos.

Tomei vergonha na cara e (morrendo, me acabando) pedi à mamis querida. Ela, na hora, deixou. Pronto, Camila. Uma vitória, ponto para você! E eis que chega o grande dia. Podia não ser meu casamento, mas era tão especial quanto (com grandes e absurdos exageros, claro), chegara o dia da cretina depilação.

Cheguei ao salão, não tão linda e maravilhosa, morrendo de medo, pedindo pelo amor de Deus para que a dor fosse um mito, quase chorando de emoção, um poço de agonia, três poços de ansiedade, um coração acelerado, uma vontade exorbitante e mais uma dose de medo descontrolado. Mas eu sou forte e não desisto nunca!

Deitei na cama, conversei com a depiladora, pedi que fizesse com calma, afinal era a minha primeira vez e, de repente, “AHHHHHHHH, JESUS! ME SALVA, SENHOR!”. Maldita dor, maldito desespero, que vontade maldita de gritar. A depiladora, claro, ria descontroladamente da minha cara. Estava passando um verdadeiro vexame.

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Minha mãe falava “Camila, acalme-se. Já começou, então vamos terminar”. E eu gritava, apertava as laterais da cama e falava “Ai, meu Jesus, preciso de uma ambulância” ou “quero um caixão bonito e peônias no meu enterro”. Só sei que foi uma hora interminável, com direito à visita da massagista, da dona do estabelecimento, de uma outra depiladora e de duas manicures. Eu havia ficado famosa! Era a menina do “Jesusinho”. A minha vizinha de sala de depilação pergunta, até hoje, pela tal garota que tanto gritava naquela tarde de sábado e que, infelizmente (ai, como sou exibida!), ela não conhecera.

paparazzi

Ah, mas como eu me senti depois da maldita/cretina/insuportável depilação? Exatamente assim (#odiariodaprincesafeelings):

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2 comentários em “A primeira depilação

  1. Edlane Moura says:

    “minha primeira vez” kkkk seria cômico se não fosse um tanto trágico e vergonhoso.
    isso porque a depilação foi na perna, vergonhoso ao extremo é depilar o famoso “cantinho” . Rende boas histórias também! rsrs

    1. Camila Petribú says:

      hahahaha, pois é! Beijo!!!

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