Design Thinking Weekend Recife – 4ª edição: eu fui!

Preciso confessar uma coisa: sou (completamente) viciada em cursos. Desde dezembro de 2014, quando fiz o primeiro curso da minha vida, o de Storytelling, tenho uma mania louca de querer saber sobre todos os cursos, workshops, palestras e eventos que irão acontecer em Recife ou em locais próximos. Descobri, lá em 2014, que os cursos, quando realmente são bons, nos oferecem algo muito “além” de um simples conteúdo ou de um certificado a mais no currículo, eles nos proporcionam experiência.

Ouvi, pela primeira vez, o termo “Design Thinking” no ano passado, depois de participar do Startup Weekend Education e conhecer André Diniz, facilitador do curso. Alguns amigos já haviam participado de edições antigas do Design Thinking Weekend Recife e viviam falando do quanto o curso havia impactado, de maneira positiva, a vida deles. Na época, fiquei doida para participar, mas, como uma típica estudante, a falta de dinheiro me pegou de jeito e eu tive que adiar meus planos.

Foi então que, acompanhando a minha timeline do Facebook, vi que, dentro de duas semanas, aconteceria a 4ª edição do DTWRecife e, lógico, procurei saber datas e valores. Já estava pensando em adiar, mais uma vez, o curso, mas uma amiga da faculdade me convenceu a participar. Por mais que já tivesse lido a respeito da abordagem de Design Thinking, não sabia, ao certo, do que se tratava, mas resolvi, mesmo assim, ir “com a cara e com a coragem” para ver no que ia dar e, sabe de uma coisa? O Design Thinking me surpreendeu.
André, naquele sábado ensolarado no Recife, 12 de março, começou o workshop citando Thomas Edson, inventor da lâmpada elétrica:

“Eu não falhei, apenas encontrei 10 mil caminhos diferentes que não funcionaram”.

A vida é assim: a gente pensa que errou e que o “erro” acabou com os nossos planos, mas, para se chegar a uma solução inovadora ou a um “final feliz”, às vezes, são necessárias 400, 500 ou até 10 mil tentativas que não deram certo.

A partir deste exemplo, comecei a entender, um pouco, o que era Design Thinking: um modelo mental, uma filosofia.
De que adianta você ter mil ferramentas ao seu favor se você não sabe utilizá-las para se chegar a uma solução inovadora? Você precisa de um modelo, de um “mindset” e, no Design Thinking, o seu modelo é baseado na necessidade do ser humano. A abordagem te ensina a “organizar” tais ferramentas em três pilares:
1) Negócios: mostra o que é viável para o mercado
2) Humano: mostra o que as pessoas desejam
3) Tecnologia: fala sobre o que é tecnologicamente possível

Já disse, no post “Por que participar de um Startup Weekend Education?”, que sempre fui a “menina das teorias”. Amava um livro, uma definição e um conceito, mas, assim como no SWEdu, o Design Thinking se baseia no princípio do “learn by doing”, ou seja, coloque a mão na massa. O Design Thinking não te oferece fórmulas ou um passo a passo para se chegar ao sucesso, você precisa PENSAR.

Fomos desafiados, por André, em uma atividade de quebra-gelo, a construir, em equipes, a maior torre de macarrão com marshmallows em 10 minutos. Uma coisa eu te garanto: é super divertido, mas não é fácil. Não é fácil montar a danada da torre, porque o macarrão é fino, quebra fácil, o marshmellow é super mole (e delicioso) e requer a colaboração de toda a equipe, um dos princípios básicos do Design Thinking.

Torre feita com macarrão e marshmallow pela nossa equipe
Torre feita com macarrão e marshmallow pela nossa equipe

Com a colaboração, percebemos que existem pessoas diferentes com perspectivas diferentes e, ao misturar esses diferentes perfis, obtemos algo novo e… DIFERENTE! Temos assim, uma co-criação, uma criação em conjunto!
Se foi difícil montar a danada da torre? Muito! Foi difícil pra caramba! Mas temos que ser OTIMISTAS por mais que as coisas aparentem ser super complicadas. E, para se chegar ao alcançável/atingível, é necessário prototipar, isto é, colocar a mão na massa. Fui vendo que a “Camila das teorias” foi perdendo espaço, aos poucos, para uma nova Camila: uma Camila que pensa, analisa, planeja, mas AGE! “No talk, all action”, portanto, virou um lema de vida. Nossa torre pode não ter sido a mais alta ou com o maior número de marshmallows, mas nos mostrou a força e o poder de um bom trabalho em equipe.

Aprendi, no Design Thinking Weekend, que não basta entender o problema ou a necessidade do outro, é preciso, antes de tudo, ter empatia com ele. Empatia nada mais é do que “sentir com”, é criar uma conexão. Enquanto a empatia conecta as pessoas, a simpatia desconecta. Este vídeo, apresentado no curso, retrata bem o poder da empatia para a vida em sociedade e para o Design Thinking:

Após entender o significado de empatia, fomos incentivados a formar duplas a fim de nos conhecermos melhor. Tivemos que realizar uma entrevista bem rápida para entender bem a “essência” do outro e criar, assim, uma maneira inovadora de entregar-lhe um presente. No caso, precisaríamos pensar no “serviço” de entrega e no presente ideal que correspondesse ao perfil e aos gostos da nossa dupla. Minha dupla foi Malu, uma mulher doce que vive e respira moda. Quando fui entrevistada, falei sobre as coisas que amava: lidar com pessoas e com palavras, Argentina, espanhol, Thalita Rebouças, palestras do TED, livros…

Depois de alguns minutos de conversa, era hora de agir, de colocar a mão na massa e de prototipar a entrega do presente. Foi desafiador, instigante e maravilhoso. Tínhamos alguns materiais de papelaria (cartolina, massa de modelar, canetas coloridas, tesoura, cola, liga, etc.) e, com eles, deveríamos simular a entrega de um presente “à altura” da nossa dupla.

O meu protótipo de entrega do presente para Malu X o protótipo de Malu para mim!
O meu protótipo de entrega do presente para Malu X o protótipo de Malu para mim!

De uma maneira bem simples, a partir do conceito de “learn by doing”, conseguimos pensar em um design de serviços com foco na satisfação do cliente (neste caso, a dupla), usando dois princípios: o da expectativa e o da experiência.
Depois de algumas dinâmicas, partimos para o “projeto máster” do curso, em que tivemos que desenvolver uma solução inovadora para um problema recorrente na sociedade. Para isto, utilizamos uma série de canvas e post-its (eu, claro, que endoidei, né? Sou #alokadospostits) para anotar e esquematizar nossas ideias.

Como diz Thaynaraog, rainha do Snapchat, foi uma “surra de post-it” hahahahaha

A turma do post-it #comorgulho
A turma do post-it #comorgulho

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Aprendi não só no curso de Design Thinking, mas também no SWEdu, que além de ter boas ideais, é preciso validá-las. Então, partimos para as ruas e, no cenário lindo do Recife Antigo, entrevistamos algumas pessoas, perguntando-as sobre o sistema de delivery.

Valide a sua ideia!!!
Valide a sua ideia!!!

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Sim, tínhamos um projeto inicial de trabalhar com “delivery”, em especial o de sushi, mas após toda a coleta de dados, sabe o que descobrimos? Que o que achávamos ser um problema não era um problema. Todo trabalho feito teria sido, então, em vão? NÃO! Daí a importância de validar uma ideia.

Volto, então, àquela frase de Thomas Edson: “Eu não falhei, apenas encontrei 10 mil caminhos diferentes que não funcionaram”.

Esse foi, apenas, o primeiro caminho que não deu certo. A 1ª validação que não deu certo. Mas o melhor de tudo é que depois de tantos “erros”, conseguimos, por fim, chegar a um “acerto”. Para isso, aprendemos que algumas coisas, na perspectiva do Design Thinking, são fundamentais quando se trabalha em equipe:
• Manter-se focado
• Uma conversa por vez
• Evitar julgamentos
• Encorajar ideias malucas
• Construir na ideia dos outros
• Organizar uma ideia por post-it
• Lista os problemas
• Sentir com o outro; ter empatia.

Sim, o trabalho desenvolvido durante o curso nos mostrou que, por meio de um modelo mental eficiente e de um bom trabalho colaborativo em equipe, você consegue chegar a uma solução inovadora.
Após um final de semana intenso de atividades, concluí o curso de Design Thinking e pude marcá-lo como “feito” em meu checklist. Foi só um curso, Camila? Não! Foi uma EXPERIÊNCIA! Aprendi coisas novas, conheci pessoas novas e vivi coisas novas.

A turma da 4ª edição do Design Thinking Weekend Recife, que aconteceu nos dias 12 e 13 de março, no Nós Coworking (Recife Antigo)
A turma da 4ª edição do Design Thinking Weekend Recife, que aconteceu nos dias 12 e 13 de março, no Nós Coworking (Recife Antigo)

Design Thinking, além de ser uma filosofia de vida e de uma maneira de pensar, possui caráter multidisciplinar, porque pode atuar em várias áreas do conhecimento (educação, negócios, saúde, tecnologia). Mas cadê o design nisso tudo, Camila? O design surge a partir do momento em que, além de colocar todas as nossas ideias no papel de maneira bem “visual” (com post-its de diferentes cores, desenhos e canvas distintos), nós criamos protótipos delas. É ter empatia, colocar a mão na massa, prototipar, validadar a ideia e inovar! Isso é Design Thinking!

Com o facilitador do curso, André Diniz
Com o facilitador do curso, André Diniz

Obrigada, André Diniz, por me proporcionar uma EXPERIÊNCIA tão enriquecedora! Foi um final de semana inesquecível!

Ps.: Sintam a alegria da pessoa em fazer um curso em um coworking com piscina de bolinhas para os momentos de “relax”! (Surra de bolinhas, segundo Thaynaraog! hahahaha #parei)

Quer coisa melhor do que relaxar em uma piscina de bolinhas após um dia de muito trabalho? Voltei a ser criança!
Quer coisa melhor do que relaxar em uma piscina de bolinhas após um dia de muito trabalho? Voltei a ser criança! Na foto acima, com Duda, amiga de Jornalismo da Unicap, e Malu, que conheci no DTWRecife e foi minha dupla!

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PS2.: Sintam a maravilha que é fazer um curso em um lugar que te proporciona essa vista:

Marco Zero, Recife-PE
Marco Zero, Recife-PE

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