Sendo Atemporal

Às vezes, é complicado compartilhar um texto tão pessoal. Digo que “Sendo Atemporal” foi um texto que me libertou. Com ele, deixei de me culpar, me julgar e de ter vergonha de, por exemplo, ter parado de estudar no Ensino Médio (sim, saí do colégio, mas isto é assunto para outro post, ok?) e de ter feito supletivo. Passei anos (3 anos e 4 meses, para ser mais exata) sem me sentir “livre”, sem saber quem eu era ou o que queria. “Sendo Atemporal”  foi, então, a maneira que encontrei de “depositar tudo o que tinha em mente” em uma folha de papel. E, sim, isto me libertou. 🙂


Dizem que o tempo cura e que também é o melhor remédio. Para ser sincera, desacreditei no tempo. Ele foi o responsável por várias decepções na minha vida. Acho que decepção é pouco. Teve épocas do nosso “relacionamento” simplesmente não funcionar. Perdi a noção do tempo. Não sabia se era dia ou noite, se era segunda ou sexta-feira. Não sei quanto meses vivi sem perceber a existência dele. Talvez 2, 8 meses ou, quem sabe, um ano. Mas, como de costume, ele esteve sempre bem ali, ao meu lado, mesmo que eu não o quisesse. O tempo é como o ar: nós não o enxergamos, mas podemos senti-lo.

A maior prova que o tempo existe são as mudanças. Sim, nós envelhecemos. O hoje de hoje foi o amanhã de ontem. Confuso, não? Este instante é presente. O instante seguinte é futuro e o anterior é passado. Ops, vivemos em um constante passado-presente-futuro.  Esta é a realidade.

Só sei que minha fase “atemporal” foi complicada. Complicada em diversos sentidos: separação, perda de identidade, quilos a mais, amizades intensas, brigas intensas, distância, medo de não conseguir, rejeição. É pra continuar? Família, família, família, caixas a serem pintadas, comida de madrugada, maratona da série “Acumuladores”, não ter hora para acordar, não ter hora para dormir e dormir no colo da avó, ganhar novos irmãos…

Minha vida era uma bagunça. E culpa de quem? Do tempo, claro! Antes de 2013, minha relação com o tempo era de perfeccionismo. Eu tinha uma vida planejada, metas a serem cumpridas e uma dúzia de sonhos a serem realizados. Ah, eu tinha também uma agenda. Uma agenda inspirada na personagem de Ashley Olsen em “Um pique de Nova York”. Eu estudei a organização da minha agenda antes de pô-la em prática. Assitia a vídeos no YouTube de como organizar e otimizar meu tempo com uma agenda organizada e eficiente. Acho que posso dar uma aula de como organizar agendas. É bem simples: organize por prioridades. Separe três marca-textos de cores diferentes e classifique-os quanto ao nível de urgência: “extremamente urgente” (cor laranja, por exemplo), “quase urgente” (cor amarela, significa prioridade média) e “pode relaxar, você tem tempo de sobra para essa atividade” (cor verde).

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A “danada” da agenda de Ashley Olsen em No Pique de Nova York

 

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Olhem a organização da agenda por dentro! Impecável, né? Fiquei inspirada e tentei fazer a minha mais ou menos assim!

Minha vida funcionava assim: com regras, prazos e horários. Eu era a louca das agendas. A louca da organização. Eu era simplesmente louca. Até que o tempo me surpreendeu. O tempo fez com que minha vida virasse ao avesso e, com ele, eu não podia mais contar. Ele virou meu arqui-inimigo e eu me declarei atemporal.

Não me importava com que horas eram, pois eu não tinha obrigações. O dia de hoje era igual ao de ontem e, provavelmente, seria igual ao de amanhã. Eu, simplesmente, virei o meu oposto: desorganizada, relapsa e nem aí com a vida. Fugi do tempo e das pessoas. Me isolei.

O tempo parecia não fazer sentido para mim. Mas, como eu disse, ele sempre esteve ao meu lado e a principal prova disto foi o tanto que aprendi nesta fase. Aprendi sobre mim mesma, sobre minhas manias e vi que coisas que antes eu dava um valor imenso (como cronometrar e planejar cada minuto da minha vida) só faziam com que eu deixasse de viver.

Se agendas são importantes? Muito! Mas, nada como uma fase atemporal para você perceber que mais do que organizar cada passo da sua vida, você precisa agir. Caso contrário, a vida não acontece.  Eu me reconciliei com o meu tempo e faço dele, hoje, meu aliado.

Se o tempo me curou? Muito! Se é o melhor remédio? Com certeza! Eu dei tempo ao tempo e ele me surpreendeu. Eu reagi. Voltei a estudar, a ter planos e objetivos. Mas sem a neura de marca-textos coloridos e suas prioridades. Descobri que não adianta planejar uma vida inteira, se não vamos colocá-la em prática.

Aqui vai o meu apelo: chega de marca-textos! Dê tempo ao tempo e deixe a vida acontecer.

Camila Petribú.

14 comentários em “Sendo Atemporal

  1. Malu says:

    Camila que crônica linda! Me identifico demais… parabéns! E sucesso com o blog!

    1. Camila Petribú says:

      Own, Malu! Muito obrigada, viu? Fico super feliz que tenhas gostado! Beijão!

  2. Edlane Moura says:

    Camila, que Blog lindo, que texto legal… tem hora que precisamos parar ( fingir que não existe o tempo ) para conseguir nos reencontrar e seguir a vida sem tantos planos a ponta de lápis.

    Um beijo minha linda!

    1. Camila Petribú says:

      Exatamente, Edlane! Precisei viver uma fase “atemporal” para poder, então, me reencontrar! Às vezes, realmente, é preciso viver em “off”. Fico feliz que tenhas gostado do texto e do blog! Beijo grande!

  3. Gabi says:

    Linda!!! Tu sempre me surpreendendo

    1. Camila Petribú says:

      Linda é tu, Gabi!!! Obrigada por estar sempre me apoiando, viu? Beijão!!

  4. Camila adoreii a crônica e a forma com que tu retratou tua relação com o tempo nas diferentes fazes da tua vida é muito lindo e ao mesmo tempo interessante. Acho que o tempo pode sim curar as coisas, mas que vai da pessoa se jogar e escolher se vale se prender a ele ou se mudar é algo que ela precisa. Gosto muito de dizer que o tempo é um agravante que tanto ajuda como atrapalha e independente ou não dele a vida segue seu curso e independente dele ou não feridas se curam e pessoas crescem. Parabéns pelo inicio do blog e pelo belo texto e que venham muitos outros :*

    1. Camila Petribú says:

      Sim, cabe a cada um escolher se o tempo será um arqui-inimigo ou um aliado! Fico feliz que tenhas gostado! Beijo grande!

  5. Patrícia says:

    Camila, tive oportunidade de conviver um pouco com você e vi a volta por cima que você deu! Parabéns pelo texto, esse eu não conhecia. Você continua escrevendo maravilhosamente bem! Sucesso, meu amor!

    Beijooooos!!!

    1. Camila Petribú says:

      Obrigada, Paty!! Beijo grande!

  6. Matheus says:

    Camila, de todos foi o que mais gostei! Por te conhecer é interessante ver você colocar esses acontecimentos da sua vida no papel, mas ainda o seria se não a conhecesse (pela ótima escrita). Grande beijo, não tenho dúvidas que você será uma profissional tão excelente quanto é como pessoa/aluna

    1. Camila Petribú says:

      Matheus, muito obrigada! Fico feliz que tenhas gostado do texto! “Sendo Atemporal” foi bastante decisivo na minha vida! Beijo!!!

  7. Manuela says:

    Maravilhosa a crônica. Sensacional. Adorei a filosofia e a sinceridade contida nela. Continue escrevendo sempre, muita gente merece ler seus textos.

    1. Camila Petribú says:

      Obrigada, Manu!! Beijo!

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