Sim, eu parei de estudar e saí do colégio – O Final (Parte 4)

“Oi, tudo bem? Meu nome é Camila Petribú e eu preciso contar um fato sobre mim: eu, quando estava no 2º ano do Ensino Médio (2013), decidi parar de estudar e saí do colégio. Sim, eu PAREI DE ESTUDAR. Sim, eu não concluí o colégio de forma regular e, sim, eu já me culpei MUITO e já tive MUITA vergonha em admitir isto. Digo sempre a todos que vivi uma experiência nem melhor nem pior quando comparada a dos meus amigos (e a de tantos outros adolescentes) que terminam, de maneira normal (diga-se “regular”), o ensino médio, digo que vivi, apenas, uma experiência DIFERENTE.”

Tá chegando agora e não leu as outras partes do texto?? Então, é só clicar aqui: SIM, EU PAREI DE ESTUDAR E SAÍ DO COLÉGIO – PARTE 1 , PARTE 2 e PARTE 3!


Com o supletivo na minha listinha de “feito/done”, era hora de focar nos vestibulares. Continuei a estudar em casa, recorrendo aos livros de Ensino Médio e a minha coleção de resumos dos anos anteriores. Uma dica para quem quer otimizar o tempo nos estudos: faça resumos! Sempre estudei fazendo resumos e, por mais que, no início, eu demorasse a fazê-los, pois os atualizava ao término de cada aula, eles me garantiam uma melhor “fixação” e entendimento do conteúdo, além de, em semana de provas, facilitarem (e MUITO!) a minha vida!

Se não fossem pelos meus resumos e pelos da minha irmã (atualmente, no primeiro ano do Ensino Médio), eu não teria dado conta de boa parte dos conteúdos exigidos pelo vestibular. Continuei com o mesmo esquema de estudo do supletivo: focava nas matérias de Humanas, que tinha mais facilidade e, em exatas, dava ênfase a assuntos que achava recorrente nas provas, como probabilidade, análise combinatória, P.A e P.G.

Não fui uma aluna exemplar neste período, entretanto, dei o que podia dar de mim naquele momento. Estudar em casa requer MUITA dedicação. Você não tem horários fixos ou rotina, não consegue tirar dúvidas ou pedir ajuda a um colega de turma sobre um exercício X. É bem complicado, mas não é impossível.

Chegou o ENEM. No primeiro dia, terminei as provas de Ciências da Natureza (Química, Física e Biologia = piores matérias para mim) e de Humanas (História, Geografia, Sociologia e Filosofia = matérias “ok”) antes do tempo mínimo estipulado, pelo MEC, para saída dos estudantes. Chutei quase todas as questões de química e física, e algumas, confesso que nem cheguei a ler. Saí da prova dizendo que não iria ser aprovada numa Federal, mas que tudo bem, pois ainda teriam as particulares e eu ainda não havia decidido que curso fazer. No segundo dia do ENEM, em contrapartida, fiquei entre os últimos a saírem da prova. Era dia de Linguagens e redação (meus xodós) e de Matemática (que, pasmem, foi a minha melhor nota).

Enquanto o resultado do ENEM não saía, fiz as provas dos outros vestibulares. Mas, como andava MEGA confusa com tudo que havia acontecido na minha vida, não consegui decidir que curso escolher: coloquei Jornalismo em duas particulares (e faltei a prova em uma delas por medo de não passar e “me afundar” de vez), Direito em outra particular e, quando abriram as inscrições do SISU, fiquei em dúvida entre Letras – Licenciatura em Português – e Jornalismo. Terminei colocando Letras na UFPE, afinal, não custava tentar, né?

Percebam o quanto eu estava confusa. Três cursos diferentes em quatro faculdades/universidades diferentes.

Para minha surpresa, passei. Passei em Letras na UFPE, em Direito na Damas, e em Jornalismo na AESO. E agora: qual escolher? Peguei o caminho inverso: fiz duas semanas de Direito (primeira entrada) e alguns meses de Letras (segunda entrada). Em nenhum dos dois cursos, me senti confortável. Eu não conseguia ser eu mesma, odiava frequentar as aulas ou estudar os conteúdos.

A aprovação em Letras!
A aprovação em Letras!

No caso do Direito, vi logo, de cara, que não era a minha praia e caí fora. Sempre me perguntam como eu tinha tanta certeza de que não queria Direito, uma vez que eu só havia vivido DUAS SEMANAS de aula na faculdade, e juro que não sei: eu simplesmente senti que meu lugar não era ali.

No intervalo entre a saída de Direito para o início das aulas de Letras (em agosto de 2015) participei do Startup Weekend Education Recife e comecei, aos poucos, a me reencontrar, mas, mesmo assim, minha rotina continuava sendo composta por um grande nada: séries, sono, séries, sono. O que me alegrava eram as aulas de espanhol que voltei a fazer duas vezes na semana.

Turma do Espanhol: Los Potrillos!! Minha alegria das terças e quintas!
Turma do Espanhol: Los Potrillos!! Minha alegria das terças e quintas!

Em Letras, senti a mesma coisa: meu lugar não era ali, pelo menos, não naquele momento. O curso é lindo, mas minha cabeça, definitivamente, não estava para o curso. Pela primeira vez, meus pais assumiram uma posição contrária a minha:  achavam que eu deveria continuar em Letras, mesmo que fosse, no início, “empurrando com a barriga” e reprovando algumas cadeiras. Eles queriam que eu mantivesse o vínculo com a UFPE, pois, o que aconteceria se, novamente, eu mudasse de curso e não gostasse do “novo curso”? Poderia ser um trauma devido a tudo que acontecera na minha vida. O problema podia não ser o curso X ou Y, mas, sim, o meu pensamento, a minha cabeça e o meu estado de espírito.

Turma 2015.2: Letras UFPE
Turma 2015.2: Letras UFPE

Sim, saí de Letras, mesmo meus pais querendo o contrário (eles continuaram me apoiando, mas tinham a opinião de que eu não deveria largar a Federal), e voltei a estudar para os vestibulares, desta vez, de Jornalismo. E, desde que decidir largar a UFPE, só coisas boas me aconteceram: voltei a escrever com o texto Sendo Atemporal (que me libertou do “trauma” de ter parado de estudar e a frequentar as reuniões do Startup Weekend e do Manguezal, comunidade empreendedora de Pernambuco. No meetup de dezembro, aconteceu o “cambio” ou, como aprendi em Letras, a “peripécia” da minha vida: me senti “Camila” de novo. Me reencontrei por completo. Senti que era Jornalismo o que queria. Consegui um estágio. Voltei a escrever. Fiz cursos. Me senti feliz pela primeira vez, depois de tanto tempo de angústia, medo, vergonha e ansiedade.

Hoje, estudo Jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco, curso pelo qual sou apaixonada e que me realiza por completo. Ganhei amigos(as) incríveis! Há pouco mais de um mês, realizei meu maior sonho: o Chá das Quatro. Escrevo sobre o que amo, sobre as coisas que aprendo e tenho, como principal objetivo, ajudar aos jovens que, por algum motivo, se sentem “perdidos” nesta fase de transição do Ensino Médio para a faculdade. Em “Sim, eu parei de estudar e saí do colégio” quis mostrar que uma fase ruim, por pior que seja, sempre tem um fim! Esse fim pode até demorar a chegar, no meu caso, foram 2 anos e 4 meses, mas, vá por mim, ele chega! Tudo passa, você se encontra e aprende a fazer o que ama!

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Foi fácil? Nem um pouco! Se eu sofri? Pra caramba! Mas não me arrependo das coisas que vivi e das decisões que tomei. Hoje, enxergo que precisei passar por tudo isso: parar de estudar duas vezes, fazer supletivo, cursar duas semanas de Direito, alguns meses de Letras, para, por fim, me encontrar no Jornalismo.

Tenham sempre em mente: nunca desistam de lutar pelos seus sonhos e por aquilo que acreditam! Lembrem-se que cada caso é um caso e cada um tem uma história, que não é melhor nem pior que a dos outros, é, apenas, DIFERENTE! Você é o responsável por escrever a sua história!

Ficou curioso para saber como está sendo a minha experiência no Jornalismo? Eu conto em #jornalismoporamor

3 comentários em “Sim, eu parei de estudar e saí do colégio – O Final (Parte 4)

  1. Isabel says:

    Gostei da postagem e da forma como você escreve e encara as situações. É muito bom escrever num blog como uma maneira de se expressar .

  2. Manuela says:

    Nossa! Amei demais você escrevendo! Sério. Parabéns.

    1. Camila Petribú says:

      Own, Manu! Muito obrigada, linda!! beijão

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