Sim, eu parei de estudar e saí do colégio – PARTE 1

Oi, tudo bem? Meu nome é Camila Petribú e eu preciso contar um fato sobre mim: eu, quando estava no 2º ano do Ensino Médio (2013), decidi parar de estudar e saí do colégio. Sim, eu PAREI DE ESTUDAR. Sim, eu não concluí o colégio de forma regular e, sim, eu já me culpei MUITO e já tive MUITA vergonha em admitir isto. Digo sempre a todos que vivi uma experiência nem melhor nem pior quando comparada a dos meus amigos (e a de tantos outros adolescentes) que terminam, de maneira normal (diga-se “regular”), o ensino médio, digo que vivi, apenas, uma experiência DIFERENTE.

Nem melhor nem pior, apenas, diferente.  

Depois de anos de vergonha, medo, incerteza, dúvidas, dúvidas e mais dúvidas, resolvi criar coragem e falar abertamente do assunto. Na época, foi difícil pra caramba e eu sofri muito, mas vejo o quanto aprendi com o sofrimento. Não quero, de forma alguma, incentivar os adolescentes a tomarem esta atitude, até porque, ainda hoje queria que o meu caminho tivesse sido outro: mais tranquilo ou até tumultuado por conta do estresse das provas e dos vestibulares, mas queria ter vivido, no Ensino Médio, como uma adolescente “normal”.  Eu, simplesmente, não acordei um dia e disse “Ah, hoje é um ótimo dia pra se largar os estudos”. Parei de estudar porque meu corpo e minha mente precisavam e vou explicar o porquê, mas teve, sim, um motivo e todo um contexto para que isso acontecesse.

 Quero falar deste assunto publicamente porque, hoje, vejo que, por mais que façamos planos para a nossa vida, nem sempre as coisas saem como queremos. A vida surpreende, machuca e, também, fortalece. Se tudo aparenta estar dando errado, respire, viva e, uma hora, tudo volta aos trilhos. Às vezes o caminho que queremos seguir nem sempre é o melhor para nós. Nem tudo está perdido, vá por mim!

Dividi o texto em partes e, aos poucos, postarei aqui no blog!


SIM, EU PAREI DE ESTUDAR E SAÍ DO COLÉGIO

PARTE 1: “O ANTES”

 

Se tem uma coisa que eu aprendi nos últimos anos é que eu não tenho o poder de controlar o futuro. Durante o Ensino Fundamental II, eu planejei minuciosamente cada segundo dos meus três anos de Ensino Médio e, hoje, dois anos após a minha “graduação”, eu afirmo com toda a certeza: a vida tem a incrível capacidade de nos surpreender e, nem sempre, as coisas saem como planejamos. Às vezes, o rumo da nossa vida opta por um caminho nem melhor nem pior do que o da maioria, apenas diferente.

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No colégio, sempre fui taxada como nerd, CDF ou como “a louca dos livros”. Sim, sempre amei estudar (podem me julgar, eu deixo). Lembro-me que, na Alfabetização, tinha o hábito de, religiosamente, todos os dias, pegar um livro novo na biblioteca do colégio. Eu era extremamente tímida e, por isso, passava boa parte dos meus recreios conversando com as bibliotecárias e explorando o maravilhoso mundo dos livros. Ao final do ano, ganhei o título de “Leitora nº1 da Biblioteca Infantil”, o que me fez ficar vermelha em frente a toda a turma (eu era a criança mais tímida do mundo). Ah, o prêmio, claro, foi uma coleção de livros sobre o descobrimento do Brasil.

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Fui crescendo, a quantidade de conteúdo aumentou e eu deixei de ter uma única professora para todas as matérias. A “tia” deixou de ser “tia” e passou a ser professora. As matérias foram ficando mais difíceis, mas o hábito de estudar loucamente nunca saiu de mim. Acho que gosto tanto de estudar porque sou a curiosidade em pessoa e sempre amei uma teoria. Desde pequena, tenho o hábito de fazer resumos. Se tivesse guardado todos os resumos que já fiz em minha vida, pode ter a certeza de que as folhas dariam um livro. Por anos, fiz meus resumos à mão. Já tive cadernos exclusivos para cada matéria com exercícios, exemplos e anotações complementares grifadas de marca-texto. Como as tecnologias foram ficando cada vez mais presentes em nossas vidas, substitui as letras em caneta pelas digitadas.

Eu amava estudar e sempre ficava louca em semana de provas. Abdicava do sono se fosse preciso, mas queria estar sempre com a matéria em dia. Muita gente pensa que meus pais sempre cobraram muito de mim, que eram do tipo de pessoa que exigia que toda nota fosse acima de 9. Não, eles eram oposto. Meus pais já chegaram a me pedir que eu estudasse menos (loucura, não?) e eu sempre dizia que tentaria relaxar mais, mas nunca dava certo, sabe por quê? A cobrança não vinha dos meus pais ou de qualquer outra pessoa da minha família, vinha de mim mesma.

A autocobrança é algo desesperador. Sei que, com ela, você ganha disciplina e organização, mas ganha, também, muitas crises de choro, noites inquietas de sono, muito estresse e dias de muita enxaqueca. Além do título de nerd, sempre fui vista como “a estressada” da turma e acabei me acostumando.

Quando estava na oitava série, decidi sair da minha zona de conforto. Estava no melhor ano da minha vida: tinha superado a timidez, possuía vários amigos e uma vida escolar “perfeita”. Comecei a planejar meu Ensino Médio e decidi que era a hora de me arriscar. Sem contar para as pessoas, comecei a estudar para a prova de um colégio novo da cidade. As recomendações eram muito boas, mas também assustavam. O tal colégio era conhecido por ser extremamente rigoroso e que só “sobreviveriam” os que realmente quisessem estudar.

Fiz a inscrição no teste de seleção e peguei os conteúdos para a prova. Fiquei nervosa, chorei e chorei. Eu não tinha visto metade dos conteúdos do programa e comecei a dizer que não ia passar. Estudei loucamente. Pela primeira vez na vida, eu seria “testada”. Nas provas do colégio onde estudava, eu só tinha um concorrente: eu mesma.  Já um teste de seleção para entrar em um colégio novo fazia com que, pela primeira vez na vida, eu tivesse vários concorrentes. Foi um grande desafio.

Os conteúdos que me fizeram derramar MUITAS lágrimas
Os conteúdos que me fizeram derramar MUITAS lágrimas

No dia da prova, passei mal. Minha pressão caiu por puro nervosismo. Quando saí do primeiro dia de provas, comecei a ouvir comentários sobre as questões e me desesperei. Parecia que eu tinha feito tudo errado, afinal, todas as respostas haviam dado diferentes. Cheguei a minha casa aos prantos e disse que não iria ao segundo dia, pois já estava eliminada, tinha certeza. Mais uma vez, a autocobrança tomou conta de mim. Minha mãe, entretanto, não me fez desistir. No dia seguinte, fiz a prova preparada: água, relógio, comida doce, comida salgada. Mas, mesmo assim, ao chegar em casa, chorei. Chorei porque era a primeira vez que eu iria testar se toda a minha vida dedicada aos estudos havia, de fato, valido a pena.

Dias depois, ao chegar do colégio, o porteiro vem com uma correspondência em meu nome. Fiquei nervosa, que danado era aquilo? Abri-a ainda na portaria e, quando vi, era um telegrama que dizia: “Parabéns, você já faz parte do nosso colégio”. Eu havia passado no teste de seleção e estava em choque. Abracei o porteiro e, claro, chorei. Chorei de alegria e de medo. Eu estava saindo do colégio onde havia passado 9 anos da minha vida, estava deixando todas as minhas amigas e, em breve, enfrentaria uma turma com caras desconhecidas, professores novos, didática de ensino nova, ambiente novo… Tudo novo! Será que aguentaria a pressão do colégio que era conhecido pelos taxistas como “Inferno Azul”? Eu queria uma mudança, queria um desafio, então, fui lá e fiz a matrícula. Me arrisquei.

Guardo, até hoje, o telegrama que mudou a minha vida
Guardo, até hoje, o telegrama que mudou a minha vida

CONTINUA…

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