Sim, eu parei de estudar e saí do colégio – PARTE 2

“Oi, tudo bem? Meu nome é Camila Petribú e eu preciso contar um fato sobre mim: eu, quando estava no 2º ano do Ensino Médio (2013), decidi parar de estudar e saí do colégio. Sim, eu PAREI DE ESTUDAR. Sim, eu não concluí o colégio de forma regular e, sim, eu já me culpei MUITO e já tive MUITA vergonha em admitir isto. Digo sempre a todos que vivi uma experiência nem melhor nem pior quando comparada a dos meus amigos (e a de tantos outros adolescentes) que terminam, de maneira normal (diga-se “regular”), o ensino médio, digo que vivi, apenas, uma experiência DIFERENTE.

Tá chegando agora e não leu a primeira parte do texto?? Então, é só clicar aqui: SIM, EU PAREI DE ESTUDAR E SAÍ DO COLÉGIO – PARTE 1


Em 2012, aguardei ansiosamente pelo primeiro dia de aula e resolvi me reinventar. Eu podia ser quem eu quisesse, afinal, quase ninguém me conhecia. Poderia corrigir os erros do passado e tentar coisas novas. Já havia deixado de ser tímida há algum tempo, mas, no colégio novo, virei uma tagarela. Falava com todo mundo, participava das aulas e estudava pra caramba. Realmente, era um ritmo intenso e tínhamos que estudar MUITO. Eu estava focada, afinal, tinha optado por mudar de colégio porque tinha, como objetivo principal, crescer, amadurecer e me desafiar.

12422440_1017121278334835_834879307_o
Tínhamos que usar, todo santo dia, o crachá azul!

2012 foi um dos melhores anos da minha vida. Passei a ter, no colégio, uma vida social intensa e fiz vários amigos. Era época das festas de quinze anos e, embora muitas vezes tivéssemos prova aos sábados, não deixávamos de ir às festas na sexta. Os alunos do colégio eram conhecidos por não terem vida social e, na real? Pura mentira. Nunca saí tanto na vida como naquele ano. Era festa atrás de festa, social atrás de social, mas NUNCA deixei de lado os estudos. Não deixava de sair para estudar, mas, se fosse preciso, virava a noite seguinte para compensar as horas perdidas de estudo. 2012 foi intenso. Intenso no ritmo de estudos, na vida social e na vida amorosa. Foi o ano dos melhores trabalhos de colégio ( #saudades Vida de Socialite – O Filme) Vivi paixões, desilusões, choros, risos, beijos e abraços. Nunca aprendi tanto na vida. Aprendi não só com o que era ensinado no colégio, mas aprendi, principalmente, a VIVER. Continuava sendo nerd, sim, mas, agora, vivia em festa. Eu aprendi a conciliar as duas coisas e era super feliz assim.

527918_366289506775313_106419655_n
Nosso quarteto
Vida de Socialite - O Filme : trabalho que entrou para a história das nossas vidas e do nosso colégio!
Vida de Socialite – O Filme : trabalho que entrou para a história das nossas vidas e do nosso colégio!
554665_465167400170788_836683060_n
A turma completa do 1º ano – 2012

Tudo estava perfeito. Meus projetos para o Ensino Médio estavam acontecendo melhor do que eu havia planejado até que… Meu mundo desmoronou.

Era final de agosto de 2012 e, após voltar do cursinho de inglês, eu recebi a notícia que iria mudar a minha vida por completo: meus pais iriam se separar.

Eu sei que muita gente encara separação como algo super normal hoje em dia. E, de fato, boa parte dos casais se separa. Mas, ali, na minha frente, eu estava vendo minha família ir por água abaixo. Cresci em uma família extremamente católica e os ideais de família, casamento e união sempre estiveram (e estão até hoje) presentes em minha vida. Eu sempre usei a seguinte analogia para tentar explicar o que aconteceu comigo naquele ano: eu era sustentada por quatro pilares (eu, minha irmã e meus pais) e, se um pilar caísse, todos caíam. E um pilar caiu, levando os demais ao chão.

De agosto a dezembro de 2012, eu consegui me sustentar. Precisava de pouca nota para passar nas matérias do colégio e, assim, fui “empurrando parte dos estudos com a barriga”. Basicamente, eu só estudava para as matérias que me deixavam feliz (humanas, no caso), afinal, minha cabeça só tinha olhos para uma coisa: minha família.

Foto de 2010: minha família, minha base, meu tudo!
Foto de 2010: minha família, minha base, meu tudo!

Passei de ano e, em 2013, quando deveria cursar o segundo ano do ensino médio, eu, finalmente, me deixei “cair”. Comecei a faltar as aulas, acumulei assunto e “inventei” uma série de doenças. Coloco a palavra” inventei” entre aspas, porque, de fato, eu estava doente, mas não das doenças que inventava, eu estava doente do coração. Eu, em minha cabeça, havia perdido a minha base, havia perdido o que me sustentava. Inventei doenças para “cobrir” a doença do coração. Não entrei em depressão, mas cheguei perto. Simplesmente, meu coração, meu corpo e minha mente precisavam de um tempo para absorver toda aquela mudança repentina. Eu precisava de um tempo, não deu um tempo qualquer, mas do “meu tempo”. Meu mundo havia desmoronado.

Foi aí que, um dia, eu criei coragem e falei: “Pai, mãe, eu quero parar de estudar”. E, surpreendentemente (para a maioria), eles me deram total apoio, usando a seguinte justificativa: “Camila, nós sabemos que você vai parar de estudar não porque quer vagabundar por aí, mas porque precisa, realmente, de um tempo para se reencontrar”. Comuniquei aos meus melhores amigos e, aos poucos, ao restante da turma. Com o passar dos dias, a notícia foi chegando a outros colégios e, claro, foram surgindo as fofocas. Lembro que já chegaram à mãe de uma amiga para dizer: “Fulana, você soube da menina que saiu do colégio porque encontrou namorado rico?”. Oi? Houve, também, quem dissesse que “a tal menina” (vulgo: EU) tinha ficado grávida e contraído AIDS. E, na época, eu só fazia rir da situação, porque, afinal, as fofocas eram o menor dos meus problemas  naquele momento e as pessoas que, de fato, me conheciam sabiam que eu não era de fazer esse tipo de coisa, porque sempre fui muito “certinha, nerd e estressada”. O sentimento que tinha na época era que tinha perdido as duas coisas que mais amava na vida: minha família e meus estudos. Sabia que seria um ano difícil, mas não imaginava o quanto iria aprender com toda a experiência.

Continua…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *